Delírio trêmulo



Sonho que quero ser diferente
Um outro tipo de gente
Que some quando não há paz
Acordo querendo parecer contente
Apesar de tropeçar novamente
Nos que vivem como tanto faz
Durmo querendo certamente
Numa insônia ainda ser diferente
Sendo velho em corpo rapaz

Sonho, acordo e durmo como há dez mil anos atrás
espero desperto sonhando com desertos áridos
pesadê-lo-me perseguido por alamedas de areia
bebendo água de miragem
desfigurando-me na paisagem
acordando dentro do carro, na garagem.

viajo sem ácido mas abandono meu corpo
e não conheço o tamanho do estrago
vejo grades na Polinésia
guardando minha amnésia
lembro que não conheço o idioma
e, passeando estrangeiro
esqueço meu aroma pela ilha
preso no paraíso
mas, ainda em Brasília.




2 comentários:

sandra baccara disse...

É bonito como voce percebe as sutilezas dos espaços e consegue preenche-los com sua arte. Te amo

Nuno Sousa disse...

Excelente este aproveitamento das sombras. Parabéns!